Conectar uma usina solar à rede é a etapa mais regulamentada em qualquer projeto. Os operadores de rede impõem configurações de relés de proteção, requisitos anti-ilhamento, padrões de qualidade de energia e especificações de tolerância a falhas que variam de acordo com o país, o nível de tensão e a concessionária. Errar no processo de conexão à rede – perder um estudo, especificar configurações de relé incorretas ou subdimensionar o ponto de conexão – pode atrasar um projeto em 12 a 24 meses ou exigir um redesenho caro. Este guia explica o processo de ponta a ponta.

Os quatro estágios da conexão à rede

Cada ligação à rede solar – desde um telhado de 100 kW até uma central de serviços públicos de 100 MW – segue as mesmas quatro fases:

  1. Pré-viabilidade/estudo de tela — a concessionária avalia se o ponto de conexão proposto pode absorver a saída do projeto sem violar os limites térmicos ou de tensão dos equipamentos existentes.
  2. Estudo de interconexão — um estudo detalhado de fluxo de potência, curto-circuito e estabilidade. A concessionária modela o impacto da sua planta na rede. Este estudo determina as configurações necessárias do relé de proteção, as especificações do transformador e quaisquer atualizações de rede que você deve financiar.
  3. Acordo de conexão — um contrato legal especificando os termos da conexão: medição, configurações de proteção, obrigações de energia reativa, condições de redução e conformidade com o código da rede.
  4. Comissionamento e energização — teste no local dos relés de proteção e do comportamento do inversor, seguido de energização formal pela concessionária.

Principais requisitos técnicos

Proteção anti-ilhamento

O anti-ilhamento garante que quando a rede perde energia, a sua central solar não continua a energizar a rede local – o que colocaria em perigo os trabalhadores dos serviços públicos, assumindo que a linha está desenergizada. Cada inversor conectado à rede deve detectar perda de rede e desconexão dentro de uma janela de tempo definida, normalmente de 200 a 2.000 ms, dependendo do padrão da concessionária (IEEE 1547, IEC 62116, VDE-AR-N 4105).

Inversores modernos como o da Sungrow SG150CX e SG320HX-20 incluem métodos anti-ilhamento passivos (monitoramento de frequência/tensão) e ativos (mudança de frequência, medição de impedância). O anti-ilhamento do inversor é a proteção primária; um relé dedicado no ponto de conexão é a proteção secundária para plantas acima de ~100 kW.

Passagem de tensão e frequência (LVRT/HVRT/FRT)

A maioria das concessionárias exige grandes usinas solares para fique conectado durante falhas na rede, em vez de desconexão - porque a desconexão em massa da energia solar durante uma falha pioraria a instabilidade da rede. As curvas de funcionamento específicas (quão baixa a tensão pode cair, por quanto tempo, antes que a planta possa se desconectar) são definidas no código da rede local:

PadrãoRegiãoRequisito LVRT (exemplo)
IEEE 1547-2018EUAPermaneça conectado a 0,5 pu por 160 ms; 0,7 pu por 2 s
CEI 61727/EN 50549EuropaEspecífico do país; normalmente 0,2 pu por 150–200 ms
GB/T 19964ChinaPermaneça conectado ≥ 625 ms a 0 V; 3 s a 20% Un
AS/NZS 4777Austrália/Nova ZelândiaRide-through definido nas diretrizes AS 4777.2/AEMO

Os inversores Sungrow são certificados para LVRT, HVRT e FRT de acordo com todos os principais códigos de rede. Os parâmetros específicos são programáveis ​​pelo engenheiro de comissionamento de acordo com os requisitos da concessionária.

Potência reativa e fator de potência

A maioria das concessionárias exige usinas solares acima de um determinado tamanho (geralmente 30 kW+ para fins comerciais, 1 MW+ para concessionárias) para fornecer suporte de energia reativa – a capacidade de absorver ou injetar corrente reativa para ajudar a estabilizar a tensão da rede. Os requisitos variam: alguns especificam um fator de potência fixo (por exemplo, 0,95 adiantado/atrasado), outros especificam uma curva de potência reativa (modo Q(U)) onde a planta ajusta dinamicamente a saída reativa com base na tensão medida. Os inversores centrais e de string Sungrow suportam todos os modos de controle de potência reativa padrão sem hardware adicional.

Configurações do relé de proteção

O estudo de interconexão normalmente especifica as seguintes funções do relé de proteção no ponto de conexão:

O relé deve ser ajustado de acordo com as especificações da concessionária e testado durante o comissionamento. Configurações de relé mal configuradas são a causa mais comum de atrasos no comissionamento.

Requisitos do transformador MT

Usinas acima de ~1 MW normalmente se conectam em média tensão (6–35 kV) e requerem um transformador elevador. O transformador deve ser dimensionado para a potência máxima da planta com margem para conteúdo harmônico e fator de potência. Veja nosso guia de dimensionamento de transformadores para metodologia detalhada.

Cronogramas realistas

PalcoDuração típicaVariável principal
Tela de pré-viabilidade2–8 semanasComprimento da fila do utilitário
Estudo de interconexão3–18 mesesComplexidade do estudo; capacidade de utilidade
Negociação de atualização de rede1–6 mesesSe atualizações são necessárias
Acordo de conexão1–3 mesesTempo de revisão jurídica
Construção + comissionamento3–12 mesesTamanho do projeto
Total (melhor caso, sem atualizações)9–15 meses
Total (atualizações de rede necessárias)24–48 meses

O maior risco no cronograma de conexão à rede é ser colocado na fila de interconexão de uma concessionária, atrás de outros projetos. Em redes congestionadas (muitas partes da Europa, Austrália, Califórnia), uma fila de 2 a 3 anos é normal. Solicite sua conexão à rede o mais cedo possível – de preferência no início do projeto, antes de finalizar a seleção do equipamento.

Razões comuns para atrasos na conexão